Hoje tem poesia! Essa foi enviada pela PLP de São Carlos, Gabriela Nunes Cuervo Mojito. 🙂

 

Em briga de marido e mulher

Em briga de marido e mulher não se mete a colher!

Em briga de marido e mulher se mete a colher e se mete, SIM!

Se mete a colher de chá para a violência acabar.

Se mete a colher de sopa porque nós mulheres não estamos de toca!

Se mete a colher de sobremesa que é para os machistas será uma surpresa

Se mete a colher de café que a para a mulherada botar fé que é possível uma vida com dignidade

Com amor, carinho e atenção

Ninguém é digno de agressão!

Vamos fazer uma receita para uma vida sem violência:

2 colheres de açúcar

4 colheres de farinha de trigo

2 partes de AUTODEFESA

5 doses de CORAGEM

1 vida inteira de resistência

Mistura tudo e não aceite mais ser subjugada!

Temos que lutar contra os burgueses, os políticos, a polícia e não temos que aguentar de modo algum agressões dentro de nossa casa.

Lar, pode parecer, mas não combina com apanhar, humilhar ou chorar.

Lar rima com amar e combina muito com respeito.

E para não dizer que não falei das flores, além de meter a colher meteremos a coisa toda!

Colocaremos esse lindo abridor de garrafa e de lata porque com nóis agressor não passa.

Meteremos o espremedor de alho, frigideira e forma

Para entender de uma vez por todas que mexeu com uma, mexeu com todas.

Meteremos colher, garfo e faca para mostrar que a mulherada não é fraca.

Meteremos ainda concha, xícara e escumadeira, pois no ato de resistir contra a violência doméstica cada atitude é cavar trincheira.

Meteremos copos, pratos e panelas, pois se até a lei coloca o agressor na cela, não será na nossa presença que nos calaremos enquanto o cara bate nela.

Meteremos Tupperwares, potes e bacias para mostrar que elas não estão sozinhas e pros caras respeitarem as minas.

E sairemos da cozinha e meteremos o que vier pela frente, quem é contra a violência contra a mulher e não se omite cola com a gente.

Meteremos balde, colher de pedreiro e martelo, pois cada mulher a sair da situação de violência é mais uma a fortalecer o elo.

Meteremos tesouras e alicates até que entendam que na companheira de luta não se bate.

Gastaremos todas as nossas canetas, arte, música e vida.

Toda nossa luta e energia e até mesmo essa intervenção no microfone

Que é para enfatizar que na luta contra a violência doméstica ou você SOMA ou você SOME.

 

Se você é PLP e também escreve, mande para gente através da página da União de Mulheres de São Paulo e publicaremos aqui no site.

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