Nos dias 1 e 2 de Julho, as Promotoras Legais Populares de diversas regiões se encontraram no Seminário de Promotoras Legais Populares que aconteceu no Hotel Golden Park Viracopus. O encontro fez parte do Projeto “Formação de Promotoras Legais Populares no Estado de São Paulo: pelo fortalecimento, Ampliação e Mobilização do Movimento de PLPs para Garantir Acesso a Justiça para Mulheres em Situação de Violência” e, em que pese sua proposta inicial fosse Estadual, reuniu PLPs de vários estados como: Brasilia, Curitiba, Rio de Janeiro e as de São Paulo (Guarujá /Santos, Piracicaba, Campinas, Jundiai, São Carlos, ABCD, São Caetano do Sul, Itaquaquecetuba, Alumínio, etc.)

O primeiro dia começou com o credenciamento ” Conheça as PLPs” num café da manha que contava com uma dinâmica onde as PLPs tinham como atividade conhecer uma companheira de outra cidade. Assim, juntamente com o Kit (Sacola confeccionada pelas PLP de Piracicaba com Guias de PLP, Livros, Programação) e crachá, elas receberam um ticket com o nome de uma cidade da qual teriam que encontrar uma PLP e conhecer como o projeto funciona na região dela.

Após o café, todas desceram para o Salão onde as atividades começaram. Como forma complementar à dinâmica, as PLPs que receberam o ticket e “entrevistaram”/conheceram as outras companheiras de outras cidades, eram convidadas a usarem o microfone e falarem o que “descobriram” sobre as outras PLPs! Foi uma forma magnifica de interação e apresentação.

Logo em seguida, recebemos a mesa “E como estamos PLPs?”, onde foi debatido o contexto atual e os principais pontos de vulnerabilidades e ameaças aos direitos das mulheres com as Promotoras Legais Populares e contou com a participação de Amelinha Teles, Dulce Xavier, Fernanda Fernandes, Magali Mendes, Rosana Menezes e Nil Sena. Seguido do debate, abrimos o microfone para a participação das PLPs em geral para fazerem intervenções e após encerrada a atividade, seguimos para o almoço.

A segunda parte do dia iniciou com a apresentação da peça “As Vozes de Maria”, uma performance das PLPs de São Caetano do Sul sobre o artigo 7 da Lei Maria da Penha e que visava, através, da arte teatral, explicar os tipos de violência (citar tipos) sofridos pelas mulheres e que encontram amparo legal da Lei 11.340/06. Durante a apresentação, as PLPs usaram vários acessórios a fim de tentar retratar as situações cotidianas e, inclusive, dar vida aos personagens. Em uma dessas performances, no entanto, uma das companheiras utilizou uma peruca que representava a estereotipização do cabelo crespo de uma mulher negra. Infelizmente, ainda que não intencionalmente, tal uso causou desconforto entre as companheiras negras presentes, pois tal esteriótipo de mulher negra reforça o racismo intrínseco em nossa sociedade e elas, dentro da proposta democrática e popular do curso, manifestaram seu entendimento sobre a questão.

Por tal motivo, a atividade “As PLPs e a rede de atendimento” que seguiria após a apresentação teatral e que tinha a proposta de ser uma Oficina de mapeamento e problematização da realidade da rede de atendimento das cidades em que as PLPs atuam, foi adiada. Em seu lugar, entendeu-se ser importante debater a questão do racismo em nossa sociedade, inclusive, propondo para que as Coordenações de PLPs incluam, mais ativamente, o debate em suas aulas e não somente dentro de uma perspectiva interseccional. O debate nos possibilitou refletir sobre o processo continuo e diário de desconstrução de preconceitos e discriminação e a importância de refletirmos quando ouvimos de outra companheira que praticamos algum ato discriminatório, seja ele racista, LGBT fóbico ou qualquer outro. Após a finalização dos debates que foram feitos no microfone aberto com a participação de diversas PLPs, fizemos uma pausa e foi servido o jantar.

A ultima atividade do primeiro dia foi o “Sarau das PLPs” e o lançamento do livro ” Breve Historia do feminismo no Brasil e outros ensaios, da querida Amelinha Teles.

O Sarau, organizado pelas PLPs de Jundiaí ( Banda Clandestinas e CUME), foi um momento de celebração, arte e emoção aberta para a participação de todas as Promotoras Legais Populares e onde tivemos também o sorteio de vários brindes doados pela Coordenação de PLPs de São Paulo e livros doados pelo Instituto Patricia Galvão, pelas PLPs de Brasília e pelo professor Dimitri Brandi.

No segundo dia, o cafe da manhã, as PLPs participaram de uma dinâmica para formação de grupos para a atividade “PLPs em Ações” que foi repensada e condensada com a atividade “As PLPs e a rede de Atendimento”, que seria no dia anterior. Assim, primeiro, elas se organizaram em grupos de 8 integrantes, composto por mulheres que, obrigatoriamente, elas não conheciam / eram de outras cidades. Desta forma, elas poderiam interagir com PLPs diversas e enriquecer a primeira parte da atividade, que consistia em debater com as companheiras a situação das Redes de atendimento às mulheres em situação de violência em suas respectivas cidades.

Após o conversarem com as companheiras das outras cidades, foi a vez das PLPs se reunirem com as colegas das suas respectivas cidades a fim de trazerem o que aprenderam da experiência vivenciada pelas outras mulheres. Além disso, teriam que construir em conjunto uma proposta de Ação e reivindicação da Rede em suas cidades, uma demanda que fosse importante e emergencial para ser exigida em um ato no “Abraço Solidário” no dia 07/08, aniversário da Lei Maria da Penha – a exemplo da proposta das PLPs de Piracicaba que fosse um ato de demanda pela implantação de JVDs nas cidades que ainda não contam com essa vara dedicada aos casos de violência doméstica e familiar contra as mulheres. A dinâmica foi finalizada com a apresentação das propostas de cada cidade para as demais companheiras e por fim nos despedimos com a certeza de que saímos diferentes de como entramos.

Além da apresentação da dinâmica, houve um espaço de “microfone aberto” onde as PLP’s puderam fazer seus informes, propostas e demandas. Entre as falas, as PLPs de Jundiaí por meio do grupo CUME se apresentaram e ofereceram-se para conversar nos diversos cursos de PLPs sobre a questão da identidade de gênero, orientação sexual e lgbtfobia, visto que trata-se de uma pauta importante para o movimento feminista e de Promotoras Legais Populares, pauta esta que precisa ser abordada e discutida de forma mais ampla. Além disso, também foi apresentada a proposta das PLPs de Campinas de montar um “Observatório da Violência contra as Mulheres” para Campinas e Região de modo a preencher uma lacuna de dados públicos e ter números e estatísticas mais acurados sobre essa violência, para com isso fortalecer as demandas de políticas públicas para o enfrentamento da violência contra as mulheres.

Foram dois dias intensos onde debatemos, choramos, nos emocionamos, desconstruímos e evoluímos juntas, porque juntas somos mais fortes!

Agradecemos a todas que tornaram esses dois dias possíveis!

Vejam as fotos do evento!

 

Posts Relacionados