Antes de tudo, peço desculpas ou licença pela narrativa não linear e mais metafórica do que concreta.

Primeiro uma digressão

Seguindo a aleatória ordem na qual nós havíamos sentado, fomos convidados uma a uma a enfrentar ou se deliciar com o microfone. Essa fora a introdução o encontro anterior (e primeiro encontro) a que me propusera a resumir. E nos apresentamos em nossas vidas concretas, sonhos, dores e marcas da memória. No segundo dia esse rito se repetiu com aquelas que não haviam podido comparecer e a imagem que tive no primeiro dia só se manteve. Pareceram mulheres lobas, de luta, de guerra e de força, com cicatrizes na memória e no corpo, unidas de antemão pelo desejo de aprenderem a se defender e defender outras mulheres do machismo de merda de cada dia, formando nossa alcatéia.

Uma segunda licença lhes peço para citar um exemplo, entre mulheres advogadas, professoras, assistentes sociais, defensoras e  artistas; da militância, nas ocupações… Havia uma que ficara acho que mais de 30 anos sem se  “mexer” e agora dançava. Formou-se em mim outra imagem, a de mulheres poesia.

Após as notícias ruins (que parece que nunca faltam) e as boas (que fazemos questão de não faltar) iniciava-se a primeira fala/ palestra do curso com a história dos 40 anos de feminismo público no Brasil narrada pela Amelinha Telles

A narração ou a história da 2ª onda feminista no Brasil se mescla a história de vida da Amelinha, militante comunista e feminista. Situando o percurso do feminismo no Brasil, lembrando inclusive as sufragistas que lutaram pelo direito das mulheres votarem. Tendo todos estes movimentos, fomentado as bases do “feminismo público”. Em meados da década de 1970, com a ditadura ainda a vigorar por mais dez anos ela, Amelinha Telles e muitas outras mulheres retomaram lutas anteriores e renovaram as reflexões sobre o feminismo no Brasil se propondo a falar do machismo que vigorava na sociedade e as excluía; das estruturas patriarcais que as oprimiam e de tantas violências que haviam sofrido.

Tendo sido presas e torturadas pela sua militância política contra aquele regime repressivo, levavam no seu corpo marcas de abusos sexuais que sofreram nos porões da ditadura, mas essas que não “podiam falar” nem para seus pares na militância.

Enfrentaram suas próprias dores e tabus, os tabus dentro da esquerda e enfrentaram a violência da ditadura patriarcado.

Aumentaram o coro das vozes femininas que não mais serão silenciadas e agora…

Caminhemos…

 

Autora: Lílian Falcão de Araújo, Promotora Legal Popular da 23ª Turma!

 

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