No último 23 de março, em Sessão Solene ocorrida no plenário Juscelino Kubitschek da Assembleia Legislativa de São Paulo, Magali Mendes, promotora legal popular de Campinas, foi uma das femenageadas com a Medalha Theodosina Ribeiro, uma iniciativa da deputada estadual Leci Brandão.

A Medalha Theodosina Ribeiro, cuja premiação acontece desde 2015, “tem por objetivo reconhecer o trabalho e as ações de mulheres que empoderam, impactam e influenciam decisivamente a vida de pessoas pertencentes a grupos vulneráveis da sociedade”, explica a deputada estadual Leci Brandão.

Para Magali, receber a Medalha nesta edição do prêmio foi muito importante por estar lado a lado com mulheres como ela, do movimento de mulheres, do movimento de mulheres negras, do candomblé e das artes. “Foi algo muito emocionante estar naquele espaço, em que já fui agredida por estar protestando, exigindo direitos, justamente recebendo o reconhecimento por essa luta”.

Em sua fala de agradecimento, Magali, que foi reconhecida por sua militância no movimento popular e atuação no Festival Comunitário Negro Zumbi (FECONEZU), dedicou o prêmio às mães negras como a mãe de Marielle Franco, vereadora do PSOL no Rio de Janeiro, que foi executada no dia 14 de março. Uma liderança negra carioca emblemática, Marielle denunciava os abusos da ação do Estado no complexo da Maré, sua comunidade, agravados com a intervenção federal militar no Rio de Janeiro.

“Penso que é importante sempre lembrarmos das mães negras que perdem seus filhos e suas filhas para a atuação repressora e racista do Estado, principalmente nas periferias, falarmos da dor dessas mulheres como a mãe de Marielle Franco, as Mães de Maio e tantas outras por todo o Brasil”, disse Magali.

 

Magali Mendes reconhecida por sua luta no movimento negro e popular recebe femenagem da Medalha Theodosina Ribeiro no último 23/03/2018.

Magali Mendes recebe femenagem em Sessão Solene na ALESP da Medalha Theodosina Ribeiro em 23/03/2018.

 

Além de Magali Mendes, também foram premiadas:

Dra. Joana D’Arc Félix de Sousa, química e premiada cientista brasileira;
Amanda Negrasim, rapper, cantora e cofundadora da Casa das Herdeiras de Aqualtune;
Maria Bernadete Raimundo, cantora e intérprete oficial da Unidos do Peruche;
Débora Garcia, poetisa e idealizadora do Sarau das Pretas;
Dona Joana Aparecida Barros, baiana da Vai Vai;
Edna Maria Andrade, Secretária da Mulher do Sindicato dos Condutores de São Paulo;
Érica Malunguinho, ativista cultural, mulher trans e cofundadora do Aparelha Luzia;
Dra. Fabiana Dal’Mas Rocha Paes, promotora do Ministério Público de São Paulo e integrante do GEVID (Grupo de Atuação Especial de Enfrentamento à Violência Doméstica);
Lais Moreira, porta-bandeira da Unidos de Vila Maria;
Mãe Manaundê (em memória), fundadora do primeiro terreiro de Candomblé de São Paulo, atualmente o Terreiro de Santa Bárbara;
Maria Cícera Mineiro da Silva, coordenadora do projeto Diversidade Étnica e Cidadania e Liderança dos Movimentos Comunitário e de Mulheres;
Professora Marilândia Frazão de Espinosa, militante do movimento negro, psicopedagoga especialista em Educação para as Relações Etnicorraciais;
Rita de Cássia Silva Mesquita, fundadora do Grupo Cultural de Dança Afro II e;
Dona Jenny Teixeira Francisco, membro da Pastoral Afro.

A Medalha Theodosina Ribeiro foi inspirada pela filósofa, advogada e ex-deputada Theodosina Rosário Ribeiro, nascida em 29 de maio de 1930, na cidade de Barretos (SP). Ela foi a primeira vereadora negra da Câmara Municipal de São Paulo, eleita em 1970 com a segunda maior votação daquele ano. Em 1974, foi eleita a primeira deputada negra da Assembleia Legislativa do Estado, onde ocupou o cargo de vice-presidente e permaneceu por três legislaturas. Ela se tornou uma referência e estímulo para negras e negros se engajarem na vida pública.

anexos

Posts relacionados