Sábado dia 21/07 aconteceu a tradicional Festa Julina da União de Mulheres de São Paulo para arrecadar fundos para a formatura da 24ª Turma de Promotoras Legais Populares (Turma Mariele Franco). E como foi? Incrível! Veja as fotos postadas! Sucesso de público, arrecadação, organização, sororidade, diversão. E não poderia ser diferente, partindo do pressuposto de que é uma festa organizada 100% por mulheres. Pronto, lá vem a feminista com esse papo… Explico-me, porque saindo da festa eu tive uma verdadeira epifania no caminho pra casa.

Eu saí da União de Mulheres tão impressionada com a festa extraordinária que nós fizemos que comecei a conversar a respeito com o motorista que me levava, ainda vestida de caipira. Cerca de 20 companheiras, que se reuniram apenas duas vezes, conseguiram coordenar um evento com cerveja artesanal feita exclusivamente por mulheres, um brechó com roupas da melhor qualidade a preços indecentemente baixos, salgados e doces típicos, dança, manifesto feminista, brincadeiras (entre elas “acerte a bola na boca do Golpista”, digo, palhaço), em tão pouco tempo e sem um desentendimento. Uma festa em que todas se divertiram da montagem até a última bandeirinha guardada, e que eu, depois de quase 10 horas de trabalho/diversão, fazia questão de contar pra um completo desconhecido como aquele sábado tinha sido mágico.

E o meu interlocutor, um rapaz de uns vinte e poucos anos, percebendo a minha empolgação e admirado com a narrativa de sucesso, na maior espontaneidade faz o seguinte comentário desconcertante: Nossa, vinte mulheres e não deu nenhuma briga? Deu tudo certo? Difícil, hein?

Nesse momento a Deusa me iluminou e de pronto respondi sem pestanejar: Como assim, mano? Isso é coisa que colocaram na sua cabeça. E que ficam repetindo pra nós mulheres, pra ver se a gente acredita. Por acaso festa de homem faz mais sucesso? E o menino, já gaguejando: Mas muita mulher “junta” (sic) não dá confusão? E, eu na maior tranquilidade (até pra não assustar – mais – o moço), devolvi uma avalanche de perguntas: e confusão tem a ver com sexo? Tudo mentira: mentira que mulher não tem amiga mulher, mentira que mulher tá sempre competindo. Ou só vocês homens são os amigões? Os que se dão sempre bem? Mulher quando resolve se juntar pra fazer uma coisa, meu amigo, domina o mundo.

E continuei, o motorista até meio encolhido: E olha que somos mulheres as mais diferentes possíveis, de todos os cantos de São Paulo e de outras cidades, todas as raças e classes sociais, das mais diversas profissões e idades. E, cara, a gente arrasa! E a gente começa a perceber essas coisas estudando o feminismo. Essa festa foi pra arrecadar dinheiro pra formatura de um curso sobre feminismo, cidadania e direitos das mulheres. A turma toda tem quase 80 mulheres. E a gente “lavou a égua”, vai dar pra fazer uma super formatura.

Chegamos na minha casa e o menino me falou meio sem graça: É, você tem razão! “Cês” vão dominar o mundo desse jeito mesmo. Fica com Deus. E eu, obrigada. Você também, fica com a Deusa. Quem disse que Deus é homem? E saí rindo.

União de Mulheres e PLPs é isso. É desconstruir a ideia patriarcal e assumir nossas potencias! Gratidão a todas as “manas” que se uniram, direta ou indiretamente, pra tornar nossa festa inesquecível!

Sobre a autora: Kaká Palacio Cunha é ex-advogada, servidora do TJ e futura Defensora. Tem um senso de humor duvidoso e milita no feminismo antes mesmo de saber que tinha esse nome. Ela também é uma Promotora Legal Popular da 24ª Turma de SP!

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