Registro do Encontro sobre Feminismo Negro no 23º Curso de Promotoras Legais Populares, por Joice Aziza e Rosangela Martins

Falar de feminismo, negro, brasileiro, em nosso entendimento, é uma questão de enquadramento, de momento e de troca. Chimamanda, usa a palavra contexto, em seu livro “Para educar crianças feministas”.

Essa questão de enquadramento, passa pela compreensão das diversas relações dos movimentos feministas (radical, liberal, negro e interseccional). E quanto mulheres negras (eu, Joice Aziza e Rosangela Martins), de pigmentação menos acentuada, abrangemos essas questões  a partir da vertente de raça, para a questão de gênero em paralelo ao colorismo, para fundamentar e retirar esteriótipos, de que para falar de  feminismo negro,  precisaria de uma representatividade negra de  melanina mais acentuada.

Na construção do que seria disseminado, fizemos não só uma leitura feminista negra, mas também, uma interpretação enquanto Promotoras Legais Populares que somos, sobre a desconstrução do machismo e empoderamento de outras mulheres, em um ambiente de troca mutua, não de, apenas transmitir ou repassar um conhecimento específico.

Pois bem. Se temos o feminismo como auto-organização das mulheres, em várias frentes, nossas questões NÃO são universais. Temos especificidades: somos mulheres, mas somos negras, brancas, lésbicas, bissexuais, transexuais, mães, trabalhadoras, periféricas, etc.

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Arte da Linoca Souza para a União de Mulheres de São Paulo. Todos os direitos reservados!

 

O recorte de gênero, mesmo imprescindível, não abarca toda a extensão da combinação GÊNERO + RAÇA e suas manifestações no contexto de violência doméstica, por exemplo.

Já apontava Lélia Gonzalez, que as feministas negras, brasileiras, dos anos 70, questionavam INVISIBILIDADE das questões de GÊNERO no movimento negro e a DESCONSIDERAÇÃO das questões RACIAIS pelas feministas .

Para cada tipo de violência a que as mulheres negras estão expostas, associa-se às demais: processo exponencial de sobreposições de violências e vulnerabilidades, mas com forte tendência de concentração sobre a violência doméstica.

PROCESSO DE AFIRMAÇÃO: porque precisamos de REFERÊNCIAS, NOS REPENSAR e NOS REFAZER – uma vez que dentro da hierarquia social, somos as últimas.

FORTALECIMENTO da nossa AUTOESTIMA para que o RACISMO, o MACHISMO e o CAPITALISMO não nos derrube!!!

O significado de troca mutua, junto à 23ª PLP’S, foi  evidenciado,  quando abarcamos a dinâmica disseminada, pelas participantes presente nesse encontro,  com as diferentes linguagens interpretativas, rente a letra da música de Yzalú, Mulheres Negras.

Interpretações das quais, complementaram as exposições, por nós apresentadas. Algo que para algumas, serviram de aprendizados e para outras, de puro reconhecimento, enquanto processo de desconstrução  (para as  não negras) e para as negras, de autoidentificação e construção. Sendo esse, um exercício pleno, para busca da tão sonhada, sororidade.

Em determinados momentos, ficou evidente a necessidade de vivenciar o  feminismo na prática, não somente em contextos acadêmicos e formais, mas também na periferia de forma informal.

Ao abordarmos o contexto antropológico brasileiro, questão levantada pelas, em formação PLP’S, Carolina e Luciana, chegamos ao consenso, que  (ser / ou se identificar como negra/Negro no Brasil), foge da questão,aparentemente simples, de identificar-se negra/ negro. Já que a história da humanidade deu-se no continente africano.  Kabengele em “Negritude, usos e sentidos, p. 11à 21”, aponta de forma objetiva essas indagações.

Sendo assim, a  questão racial brasileira segue, na contra-mão, da norte-americana (por uma gota de sangue). Em nosso país, para saber de fato, quem é ou não negro, façamos tal pergunta, à polícia. (Kabengele, “Negritude, usos e sentidos)”.

Em sintonia harmoniosa, chegamos ao consenso, de que não esgotaríamos as pautas feministas em encontro previamente cronometrado. Por consequência apresentamos indicações e sugestões, para ampliar e dissipar a luta pela igualdade não só de gênero, mas também racial.

PLPRETA

PLPreta. Arte da Marcitolina para a União de Mulheres de São Paulo. Todos os direitos reservados!

 

 

Registro Fotográfico:

 

Fem negro Sem título 02

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